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Rinoplastia: Um método antigo para conceitos modernos

23 de janeiro de 2014

Idade Média, lugar do renascimento da rinoplastia. No tempo de Hipócrates e seus discípulos, não se fazia a distinção entre medicina e cirurgia, apesar de Galeno ter dito que “a cirurgia era somente um modo de tratamento”. A separação da medicina para a cirurgia só se verificou no século XVII. No decorrer do século XIII, o papa Inocêncio III proibiu as operações plásticas.

Com o Renascimento, as coisas se tornam mais claras e concretas. E assim, nos séculos XV e XVI renascem pela terceira vez as rinoplastias. Agora não mais como produto de costumes bárbaros e cruéis, mas sim como resultado de um flagelo que assolou todo o sul da Europa: a lepra e a sífilis.

Em 1442, o famoso cirurgião plástico chamado Branca reparava defeitos do nariz lançando mão de tecidos do próprio doente. Nessa época, a Itália era o único país onde se praticava a rinoplastia. Gasparo Taliacotius, um professor de anatomia em Bolonha, foi o primeiro a descrever cientificamente a técnica desenvolvida por Branca. Esse trabalho foi publicado no seu tratado “De curtorum chirurgia per insitionem” em Veneza, em 1597. A despeito dos seus trabalhos, o método morreu com seu autor. Para isso contribuíram muito os ataques dos teólogos da Igreja Romana alegando que a “prática da cirurgia plástica interferia

“Foi com a I Guerra Mundial que a rinoplastia se despiu das antigas roupagens e sofreu a maior transformação da sua história, empregando técnicas especiais, aparelhamento próprio, métodos adequados e conceitos definidos.”

O método de Taliacotius foi ressuscitado na Alemanha em 1816 por Karl Ferdinand Von Graefe, de Berlim, que publicou um livro intitulado “Rinoplastia”. Em 1834, o cirurgião norte-americano Warren realizou a primeira rinoplastia pelo método italiano na América do Norte. Foi, porém, com a I Guerra Mundial, que a rinoplastia se despiu das antigas roupagens. O numero de feridos do conflito passou de 10 milhões, trazendo a necessidade urgente da criação de serviços especializados. Entretanto, eram poucos os cirurgiões afeitos a essa velha especialidade, em virtude da pequena demanda. Desse modo, a medicina se viu frente a uma tremenda experiência que ela mesma não podia remediar. É nessa ocasião que a rinoplastia sofre a maior transformação da sua história, empregando técnicas especiais, aparelhamento próprio, métodos adequados e conceitos definidos.

O avanço das cirurgias do nariz chegou a tal patamar nos dias de hoje, o resultado das rinoplastias estéticas é de aspecto mais natural, preservando a função respiratória do cliente. Isso se deve, sem dúvida alguma, à obra do cirurgião plástico alemão Jacques Joseph, que publicou um estudo em 1928 mostrando a importância dos músculos do nariz nas rinoplastias.

Dr. Rodrigo Lacerda
Cirurgião Plástico Especialista pela Sociedade
Brasileira e pelo Conselho Regional
e Federal de Medicina